Última consulta do ano e um medo se dissipa

Desde os três meses e meio de vida, o Pedro é acompanhado pela gastropediatra Dra Danielle Yamamoto. A princípio por uma alergia à proteína do leite e depois pela investigação por erros inatos do metabolismo junto com uma equipe multidisciplinar.

Mais que a gastro do Pedro, a Dani é a anja da guarda dele. Minha amiga pessoal há alguns anos, parceira de encontros de verão, companheira de encontros quinzenais para desabafo e risadas, Dani é um dos nossos alicerces, daqueles que ajudam a manter nossa sanidade mental e não exagerar na dose de medo ou ansiedade.

Sei que, por ser amiga, a Dani fica em uma posição muito delicada para tomar algumas decisões diante do quadro de saúde do Pedro. Mas como profissional extremamente competente e dedicada, ela sempre pondera em busca das melhores posições diante da evolução do nosso pequeno.

Quem me conhece e já conhece um pouco da história do Pedro sabe que o momento de pesar o Pedro sempre me gera uma angústia. Medo dele não ter engordado o suficiente, medo de ainda ter uma alergia disfarçada, medo de não estar comendo direito e precisar da sonda para se alimentar.

Esse tópico já foi inclusive um dos temas da terapia que faço e ainda não consegui chegar no ponto que tanto me aflige. O que gera em mim a questão da alimentação via sonda? Por que me incomoda tanto o fato de o Pedro precisar usar sonda? Se eu sempre busco a qualidade de vida dele, por que algo que seria para o bem me faz sentir tanto medo? O que eu, Anne, sinto ao comer? Qual é a minha relação com a comida?

Sou descendente de italianos, fui criada em família grande do interior, não consigo me lembrar da minha infância sem ter algo relacionado com os deliciosos pratos das minhas avós, tias e mãe. Sempre acreditei naquela máxima que dizem que prato bom é prato cheio. Quando me perguntam sobre qual lugar da casa é o meu preferido, sempre falo cozinha e isso me lembra a época da faculdade também, que sempre cozinhava ou estava ajudando alguém a cozinhar.  E quando me perguntam sobre os meus cheiros favoritos, sempre respondo no gerúndio: bolo assando, cebola e alho fritando e terra molhando pela chuva.

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Deu pra perceber como a comida tem lugar de destaque por aqui, deve vir daí tamanha angustia. Mas aí quando passamos pela última consulta do ano com a gastro, que avalia o Pedro, as curvas de crescimento, o desenvolvimento como um todo, a Dani diz que o Pedro está em sua melhor fase, que o piázito está cada vez melhor: “sim, cogitei a colocação da sonda, mas agora é ver o copo meio cheio e diante da evolução do quadro do Pedro, pelo menos por enquanto, a questão da sonda está mais distante”.

Meu coração transborda de alegria com as palavras da Dani. Eu reforço aqui que super acredito que a colocação da sonda é extremamente importante, na verdade, fundamental em muitos casos, mas confesso que estou aprendendo a lidar com várias situações e essa é apenas uma delas. Mas não tem como não ficar feliz diante deste cenário.

Obrigada Dani, fechamos a temporada de consultas do Sir Pedroca muito felizes e confiantes de que o Pedro vai continuar evoluindo cada vez mais, principalmente ao poder contar com a parceria de profissionais e amigas como você.

E pra você Pedroca, não pense que ‘tá tudo dominado’, não. Temos muito fonoterapia de motricidade oral para melhorar a questão da deglutição já que sua disfagia oral é leve pela frente. E também muita fisioterapia, pois muitas vezes o que dificulta a deglutição é a falta de controle de tronco! Vamo que vamo que 2016 promete!

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