Tudo passa

Hoje está sendo um difícil e se vocês me perguntarem o porquê eu não saberei dizer. O Pedro está ótimo! Cada dia mais fofo e mais gostoso! Fomos a uma consulta com o geneticista, mais um super bambambam para nos ajudar a encontrar um diagnóstico do Pedro e saímos de lá super otimistas e assim que o convênio liberar, vamos dar sequência em exames que podem nos aproximar do diagnóstico!

Mas não sei explicar, me bateu um medo, um nó na garganta, uma vontade de chorar! E o fato é que ao chorar, ao desabafar com o Xuxu e com amigos, reitero: não sou assim, estou assim. Não é uma condição de “ser” e sim de “estar”. E exatamente por saber que é uma condição de “estar”, me dou o direito de sentir, deixar rolar a emoção e cair no choro.

E ao refletir sobre esse sentimento todo me lembrei da música do Nelson Ned, “Tudo passa, tudo passará”, que por sua vez me fez lembrar de uma historinha sufi (dos místicos muçulmanos) que diz mais ou menos isso:

HISTÓRIA SUFI

Havia um rei muito poderoso que tinha tudo na vida, mas sentia-se confuso. Resolveu consultar os sábios do reino e disse-lhes:

– Não sei porque, sinto-me estranho e preciso ter paz de espírito. Preciso de algo que me faça alegre quando estiver triste e que me faça triste quando estiver alegre.

Os sábios resolveram dar um anel ao rei, desde que ele seguisse certas condições:

– Debaixo do anel existe uma mensagem, mas o rei só deverá abrir o anel quando  estiver em uma situação intolerável. Se abrir o anel só por curiosidade, a mensagem perde seu significado. Quando tudo estiver perdido, a confusão for total e acontecer a agonia, nada mais se puder fazer, aí o rei deve abrir o anel.

O rei seguiu o conselho. Um dia o país entrou em guerra e perdeu. Houve vários momentos em que a situação ficou terrível, mas o rei não abriu o anel, porque ainda não era o fim. O reino estava perdido, mas ainda podia recuperá-lo. Fugiu do reino para se salvar. O inimigo o seguiu, mas o rei cavalgou até que perdeu os companheiros e o cavalo. Seguiu à pé, sozinho, com os inimigos atrás; era possível ouvir o ruído dos cavalos. Os pés sangravam , mas tinha que continuar a correr. O inimigo se aproximou e o rei quase desmaiado chegou à beira de um precipício. Os inimigos estavam cada vez mais perto e não havia saída, mas o rei ainda pensou: “estou vivo, talvez o inimigo mude de direção, a condição não está preenchida”. Olhou para o abismo e viu leões lá embaixo, não tinha mais jeito, os inimigos estavam alcançando-o. Então, o rei abriu o anel e leu a mensagem: “Isto também passará”.

De súbito o rei relaxou. “Isto também passará”. E, naturalmente o inimigo mudou de direção. O rei voltou e, tempos depois, reuniu seus exércitos e reconquistou seu país. Houve uma grande festa, o povo dançava nas ruas e o rei estava felicíssimo, chorava de tanta alegria e, de repente,  lembrou- se do anel, abriu-o e leu a mensagem: “Isto também passará”. Novamente ele relaxou e assim obteve a sabedoria e a paz de espírito.

E então, ao ler novamente essa lenda me lembrei! Essa sensação de angústia sem motivo e razão aparente também passará. É algo que vem e vai. É acidental, é ao meu redor, mas não é exatamente comigo. A vontade chorar e esse sentimento de impotência diante de um não diagnóstico vão passar. Eu sei que amanhã, quando eu acordar, eu vou estar otimista de novo. É preciso tempestade para gente poder apreciar o arco-íris, não é?! E como o rei, eu continuo, nós continuamos, nós seguimos e vamos continuar seguindo!

arco_iris


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