Da emoção da primeira lista de materiais escolares

Receber em minhas mãos a primeira lista de materiais do Sir Pedroca das mãos da Diretora do CMEI Ariano Vilar Suassuna, Dayane Rocha, fez estremecer meu corpo inteiro e um sentimento intenso invadiu meu coração. Não resisti e cai às lagrimas. E ao contrário do que a maioria das mães relatam, o choro não era pela futura separação entre mãe-bebê e bebê-mãe no início do próximo ano letivo. Nem pelo medo de algo acontecer enquanto não estivermos juntos.

A emoção é porque enfim, me senti uma mãe como outra qualquer. Esse simples ato me aproximou da normalidade. E me trouxe uma alegria indescritível. Não que eu não seja feliz na diferença, mas me senti aliviada.

A decisão de colocar o Pedroca na escola já estava bem madura no meu coração e no coração no Tiago. Para nós é muito importante que o Pedro esteja em contato com as crianças e que esse contato seja feito em escola regular que tenha inclusão.

É claro que a inclusão é lei, mas apesar de saber que temos uma linda teoria (sério, nossa legislação é muito bem elaborada e moderna[1]), no dia a dia, pelos relatos de amigas que tem filhos com alguma deficiência, na prática não é bem assim.

Para nos fundamentar e estarmos mais tranquilos diante da decisão, conversei com uma professora que foi diretora desse CMEI, Patricia Alboqueques, há uns seis meses e a empatia foi quase que instantânea. Ela nos contou como funcionava o ritmo da escola e então fui até a secretaria municipal de educação para inscrever o Pedro na fila por uma vaga.

Na semana passada, quando recebi a ligação de que a vaga tinha saído a alegria já inundou meu coração e hoje, ao levar os documentos na escola e efetivar a matricula, aí a alegria transbordou mesmo.

É claro que agora a ansiedade até fevereiro vai aumentar, e é evidente que também vou precisar dar contar de baixar essa ansiedade e também, de certa forma, não jogar as expectativas lá em cima, pois afinal, pode ser que o Pedro não se adapte, pode ser que não seja tão legal quanto eu imagino.

Sabemos que teremos grandes desafios pela frente, mas ao sair da sala onde fizemos a matrícula, demos de cara com uma fila de crianças indo para o refeitório. Só de ver a felicidade, o sorriso estampado no rosto do Pedroca ao ver as crianças passando, minha intuição diz que será um sucesso esse piázito na escola. Por hora, é nisso que vou focar! E que venham as aulas!

[1] Lei Brasileira de Inclusão de 2015 e em vigor desde janeiro de 2016 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm

Maternidade – Primeiras impressões*

Li um texto bem polêmico esses dias que dizia sobre a diferença entre ter um bebê e criar um filho. Com opiniões fortes e um pouco radicais, confesso que compartilhei com a autora desses sentimentos e me fez refletir, ainda mais, sobre a maternidade que exercito há pouco tempo mas que já está sendo capaz de provocar verdadeiras transformações em meu âmago.

Filho não é coisa que a gente possa possuir. Por mais difícil que seja para mim, tenho que me convencer: o Pedro não é meu! O direito que a gente tem é de amar, é de estar presente.

Não faz muito sentido a gente dizer “criar” um filho. Porque a gente não cria coisa alguma. Quando muito a gente tem a sorte de presenciar uma coisa bonita nascendo. Um milagre! Uma coisa nascida da gente mas também nascida do outro. Da pele, do contato, do sentimento que a gente deixa escapar por todos os poros, do amor que a gente nem supunha acreditar que pudesse um dia sentir.

Filho é como força da natureza: vem e acontece. Ai da gente, se quiser segurar, colocar-se na frente, direcionar, dirigir, decidir. Filho é vulcão e a gente nunca sabe quando vai entrar em erupção. E quando acontece, transforma tudo.

Maternidade é desse jeito: é preciso abrir mão do controle. E isso meu filho começou a me ensinar muito cedo, ao nascer ao mínimo com 6 semanas de antecedência.

Maternidade é desistir da vigilância, aceitar que é inútil a gente se outorgar o direito de decidir, sobretudo, de determinar cada detalhe, de saber de antemão como cada pedacinho da vida há de acontecer.

Sinto isso a cada dia ao me deparar com aquelas tabelas de desenvolvimento (marcos) e ver que o Pedroca tem a hora dele de levantar a cabeça, colocar a mão na boca, … e não o momento que um padrão pré-determinou.

Ter um filho ensina a gente a respirar bem fundo. Largando os braços ao longo do corpo. Como quem se entrega sem saber o que virá pela frente. Como quem aceita que o bonito da vida nos escapa dos dedos das mãos e por isso mesmo é que lindo. Vem Pedro, você é meu convite diário a essa entrega… vamos juntos, de mãos dadas, como diria o grande poeta Drummond.

*Texto originalmente escrito em março de 2015, Pedroca tinha quase um ano!!!