Parque Nacional do Iguaçu – Um passeio bem acessível

Moramos em Foz do Iguaçu há pouco mais de um ano e o nosso Sir Pedroca ainda não tinha ido conhecer as Cataratas do Iguaçu, eleitas como uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza em 2011. Como acordamos e o clima não estava tão quente quanto ao habitual nesta época do ano, resolvemos que íamos todos – papai, mamãe, vovó Rita e Pedro.

Chegamos ao Parque Nacional do Iguaçu, estacionamos em uma das vagas destinadas à pessoa com deficiência e fomos para o Centro de Visitantes, espaço que oferece informações, bilheteria, posto bancário, venda de passeios opcionais, fraldário, telefones públicos, sanitários, cafeteria, loja de lembranças, entre outros.

Pegamos a fila preferencial e adquirimos os ingressos, em seguida nos dirigimos à plataforma para o embarque nos ônibus para deslocamento de cerca de 10 km dentro do Parque em direção as Cataratas do Iguaçu.

O transporte de visitantes no interior do parque é realizado por ônibus panorâmicos. Aqui seria nossa primeira barreira física, mas os motoristas estavam atentos e nos auxiliaram a posicionar corretamente a cadeira de rodas do Pedro. Durante o trajeto, Pedroca ficou encantado com tantas árvores ao redor, apreciando a natureza, super empolgado com seu primeiro passeio de ônibus.

Normalmente, quando visitamos o Parque, descemos na penúltima parada e vamos andando a pé até chegar às cataratas. Por conhecer o trajeto, que possui rampas, mas também escadas, optamos por descer na última parada, já bem perto das cataratas. Utilizamos a rampa, o elevador, outras rampas e conseguimos chegar ao mirante, apreciar e sentir essa exuberância da natureza que nos faz tão bem. Pedroca adorou! Até encontramos amigos aqui, né filhote! Pedro ficou muito empolgado e olhava tudo com muita atenção e admiração.

Só não fomos até a ponte que chega bem pertinho das quedas principais, pois, imagine só, domingo de janeiro, temporada de férias, mesmo saindo cedo de casa, quando conseguimos chegar ali já era umas 11h30 e já estava bem lotado. Até conseguiríamos chegar, mas como moramos aqui, não faltarão oportunidades para voltar.

O único inconveniente: o público. Apesar do parque estar preparado para receber pessoas com limitações físicas, o público não está preparado, infelizmente. Não posso ser injusta, muitos visitantes foram solícitos, mas na maioria das vezes, as pessoas param na nossa frente, mesmo com a cadeira. Não se tocam que estão na rampa específica para cadeirantes, mesmo com o desenho pintando no chão. Essa é uma batalha que travamos diariamente, mas a gente é brasileiro né, não desiste nunca. Quem sabe as pessoas vão se dar conta das necessidades do próximo?! Vamos acreditar e lutar para que não demore muito!

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Na plataforma de embarque esperando o busão
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Posicionado no local adequado para cadeiras de rodas

 

 

 

 

 

 

 

 

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Pegando o acesso para as cataratas
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Rampa para chegar ao primeiro mirante
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No primeiro mirante, primeiro contato com as quedas maravilhosas.
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Muito feliz com o vapor de água que sobe das quedas.
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Que delícia de passeio em família.
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“IN Love” com o papai!
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A muvuca para pegar o acesso a ponte!
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A ponte lotada! Fica pra próxima!!!
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Obrigada Senhor, por essa oportunidade!
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No outro busão, agora pra voltar ao Centro de Visitantes.

Nosso Canto – a nova escola do Sir Pedroca e o sentimento de pertencimento

Desde o ano passado, quando soube que mudaríamos para Foz do Iguaçu eu já comecei a pesquisar escolas para o Pedro. Pelo google mesmo achei a escola Nosso Canto. Em seguida, no grupo Troca-troca entre mamães especiais do Facebook perguntei se tinha alguma mãe de Foz e encontrei a Bruna que me indicou o Nosso Canto. Logo nas primeiras semanas na nova cidade, o Tiago foi numa loja de materiais elétricos e encontrou um folder de divulgação do Nosso Canto. E logo na primeira consulta com a fono do Hospital Municipal também foi nos indicada essa escola. Sendo assim, não tinha outra opção, esse realmente era pra ser o “Nosso Canto”!

Já digo “nosso” porque fui tão bem acolhida que já me sinto pertencente a aquele lugar! É tão legal ver um tema das minhas aulas de Educomunicação para o curso de Jornalismo realmente sendo vivenciado por nós em nosso cotidiano. O tema do sentimento de pertencimento, cada vez mais presente nos estudos culturais na contemporaneidade, pode ser visto como uma busca de identidade e é muito engraçado enxergar isso na nossa vida.

De acordo com o sociólogo Mauro Wilton de Sousa, o tema do sentimento de pertencimento se traduz de forma visível, em sentidos e motivações diversos dos de suas raízes, sustentando a busca de participação em grupos e comunidades que possibilitem enraizamento e gerem identidade e referência social, ainda que em territórios tão diferentes como os da política, da religião, do entretenimento e da cultura do corpo.

E é exatamente esse sentimento de identidade que logo de cara, tanto eu, quanto o Tiago sentimos perante a escola e aos colaboradores. E a identificação foi recíproca. E todos esses sentimentos que tem nos acompanhado só nos deixa mais convictos de que era aqui, em Foz do Iguaçu, que deveríamos estar. Mesmo tendo de começar tudo de novo, mesmo estando ainda mais longe da família, mesmo estando aqui há pouco mais de dois meses, as raízes já são profundas.

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Em tempo

Família unida na escola: Pedroca vai fazer os atendimentos de fonoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional, além de uma aula pedagógica multidisciplinar. Eu já comecei a trabalhar como voluntária para atualização do site e do facebook da escola e o Tiago já está à disposição para apoio pedagógico, já está com umas ideias de projeto com a História, vamos ver como vai evoluir. E com certeza, logo a vó Rita tb estará lá dentro do Nosso Canto.

Obrigada Nosso Canto, por nos acolher tão bem!

 

Alguma coisa acontece no meu coração e aqui em Foz não tem Av. São João

 

Imagem: Shutterstock
Imagem: Shutterstock

O medo está nos rondando novamente. Mas é engraçado, não é um medo como de antes, é um medo diferente. O coração da gente sente coisas que às vezes não sabemos nominar. É parecido com medo, mas não é tão avassalador. É meio  tipo angústia, mas não daquelas doídas. Difícil de entender né? Pois é! Tá difícil de explicar mas não de sentir. Esse coração, viu…

Apesar de estar em Foz do Iguaçu, uma cidade relativamente rica de um estado que é o quarto mais rico, os serviços de saúde, seja eles públicos ou privados, não é dos mais abundantes. Nós sabíamos disso quando decidimos mudar de Curitiba para cá. Tanto é que alguns especialistas que acompanham o Pedro nos veriam periodicamente como, por exemplo, de 4 em 4 meses veríamos a neuro e a cada seis meses o geneticista, a gastro sempre que necessário e assim por diante…

Mas o que eu não imaginava é que teria uma grande dificuldade logo no primeiro mês. Já contei pra vocês aqui que desde novembro o Pedro tá comendo mal por conta do nascimento dos dentes. E o que estava ruim, só foi piorando e ele passou a não aceitar nem frutas geladas que eram as únicas coisas que ele ainda estava comendo e nem os medicamentos necessários ao seu tratamento como também já contei aqui. E o que estava indo muito difícil, agora está de mal a pior. Está aceitando bem pouco o leite, diminui muito a quantidade e tem vomitado com muita frequência.

E nessa contextualização, eis que a gastro-anja do Pedro está suspeitando que o Pedro possa estar com esofagite ou algo do gênero e precisamos fazer uma endoscopia para ter o diagnóstico. A grande dificuldade em relação aos serviços de saúde em Foz do Iguaçu é exatamente não ter como fazer a endoscopia aqui, nem pelo sus nem pelo convênio. Precisaremos ir até Curitiba.

E é neste contexto que estou com esse medo que não é medo, essa angústia que não é angústia… fico preocupada e é inevitável não pensar se realmente ter vindo para cá foi a melhor opção. Mas ao mesmo tempo, a cada café da manhã com tempo de conversar com a mamys, a cada banho na piscina praticamente toda tarde com o Pedroca, a cada almoço com o Xuxu sem pressa, a cada noite em claro com paciência por não ter que acordar no cedo no dia seguinte, tenho certeza de que era melhor pra todo nós ter vindo pra cá.

Imagem: Shutterstock
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Ressalva

Nem tudo é dificuldade com os serviços de saúde da cidade. Estou admirada com o SUS em Foz do Iguaçu. A mamys precisa de acompanhamento periódico com o reumatologista e em menos de três semanas, conseguiu o encaminhamento do clínico geral para esta especialidade, já foi atendida, já está esperando a liberação dos exames e já está com o retorno agendado para daqui três meses.

O Pedro já passou pela clínica geral do postinho também para ter encaminhamento para fisio, fono, reabilitação auditiva e por aí vai. É sempre muito burocrático e com as muitas informações desencontradas, mas os encaminhamentos já saíram e já estamos avaliando se essas terapias são as melhores opções para o caso do Pedro. Apesar da agilidade e bom comprometimento dos profissionais que estão o atendendo, é bem provável que por conta das múltiplas deficiências do Sir Pedroca tenhamos que investir em outras formas de terapias, mas aí já é assunto para outro post, né não?!