Uma semana emocionante – entre consultas, exames e muito amor

Semana passada estivemos em Curitiba para consultas periódicas e a realização de alguns exames. A viagem de Foz a Curitiba, apesar de longa, aproximadamente 650 km, foi super tranquila, Pedroca dormiu a maior parte do tempo na cadeirinha. Eta menino que gosta de viajar!

Nossa primeira consulta foi com o geneticista. Com o resultado do sequenciamento do dna mitocondrial em mãos e depois de consultas minuciosas em todos os bancos de dados de doenças genéticas disponíveis no computador do Dr. Salmo Raskin em mais de 1h30, ouvimos que, por esse exame, não parece que o Pedro tenha alguma doença mitocondrial. Junto ao resultado da revisão do Exoma realizada em janeiro que também veio sem nenhuma alteração mais uma vez, estávamos diante de um não diagnóstico ainda. E como proceder, então? Partindo do pressuposto de que os exames foram feitos em laboratórios confiáveis e os resultados estão corretos, podemos dizer que estamos distantes do diagnóstico de alguma doença mitocondrial, nossa hipótese inicial. \o/ Não que seja descartada completamente, mas está ficando mais longe dessa possível doença. E em relação às doenças genéticas, então? O que devemos fazer? O geneticista nos explicou que já que não encontramos nada de errado no sequenciamento dos genes e nem no sequenciamento do dna mitocondrial, é possível seguir investigando e o próximo passo é realizar uma pesquisa de microdeleções e/ou microduplicações cromossômicas. Voilá, vamos a mais um exame! Agora é correr atrás da liberação do convênio já que o esse exame custa cerca de R$ 5mil. E vamos comemorar por estar cada vez mais longe dessas doenças tão serias que são as doenças mitocondriais.

Aproveitamos a viagem e também consultamos com o otorrino especialista em perda auditiva e reabilitação, Dr Rodrigo, que acompanha o Pedro há mais de um ano. Ele avaliou os ouvidos do Pedroca e estão ótimos, conversou bastante conosco sobre o uso dos aparelhos, quando o implante é indicado, como é feita a reabilitação auditiva aqui e em outros lugares e por aí vai e solicitou uma nova análise comportamental com e sem aparelho. Infelizmente não conseguimos fazer o exame nesta viagem por conta de indisponibilidade de horários com a fonoaudióloga que realiza esse exame, mas faremos assim que for possível (em Foz ou em Curitiba). Também realizamos a consulta com a anestesista, necessária antes do procedimento da endoscopia. Tudo bem tranquilo.

A consulta com a neurologista do Pedro é sempre uma delícia. Parece coisa de maluco dizer isso né, hehehe. Mas é a mais pura verdade. A dra Mara é daquelas meio amiga-meio mãe, que além de especialista renomadíssima, dá um show de humanidade ao enxergar os pacientes e seus pais com os olhos do coração! Tínhamos muita ansiedade de encontrar a dra Mara para ela nos ajudar a montar o quebra-cabeça dos exames do Pedroca. Em relação aos exames genéticos, ela tem obrigação de nos dizer algo que não queremos muito ouvir, ela tem pacientes que tem doenças mitocondriais que não apareceram nos exames genéticos. Para afastar um pouco mais dessa hipótese, teríamos que fazer a biópsia do músculo, mas como é invasiva e o Pedro está bem, melhor deixar pra depois. Em relação aos exames de sangue laboratoriais que sempre fazemos, como explicar valores normais nunca antes alcançados? Ela também não soube nos explicar. Eu e o Tiago estávamos com muito medo desses exames estarem completamente alterados, já que o Pedro por si mesmo não estava mais aceitando as vitaminas prescritas pela dra Mara. E agora? Paramos de vez? Percebemos que a distonia não está mais controlada como antes só com o baclofeno e que algumas conquistas como a firmeza do pescoço e um pequeno controle do tronco com mais simetria de todo o corpo e eis que a dra Mara é delicadamente implacável. Pode ser por falta das vitaminas. O meu Deus, que difícil! Então, ficamos combinados de depois que o Pedro fazer a endoscopia e ver o que há de errado para recusa alimentar e de vitaminas somada a vômitos recorrentes, tentaremos voltar com algumas das vitaminas e não todas de uma vez! Em relação a distonia, também tentaremos novas medicações e vamos avaliando como o corpo do Pedroca reage. Apesar da oftalmologista ter avaliado o Pedro no final do ano passado pela segunda vez (uma vez por ano), aproveitamos para perguntar sobre a questão de que às vezes ele não nos encara como as crianças normais. Depois de mais de uma hora de consulta, ver como o Pedro se comporta e interage com a gente e conhecendo o histórico dele, a dra Mara acredita que seja mais por questão postural da distonia do que por falta de empatia (algo relacionado com os transtornos do espectro do autismo), nos deixando aliviados. Bom, por hora, é isso, daqui três meses consultaremos novamente para saber como está a evolução do nosso pequeno grande guerreiro.

E por fim a endoscopia! Três semanas de quando marcamos passou tão devagar e o exame realizado pela anja-gastro do Pedro, dra Danielle, em menos de 15 minutos pode nos mostrar o motivo dos nossos últimos dois meses de aflição: esofagite de grau I, que mostra a presença de eosinófilos na mucosa esofágica, provavelmente por alergia a medicamentos ou a algo da alimentação. Quem acompanha o blog sabe que a Dra Danielle é nossa amiga de verdade antes mesmo do Pedro nascer e foi a primeira médica a desconfiar de que havia algo errado com o nosso bebezinho. Sempre conversamos muito por whatsapp e nesses últimos dois meses com super frequência, a Dani com sua paciência que é uma das suas características mais marcantes, me acalmando diante da recusa alimentar, da super irritabilidade e vômitos. Agora é iniciar o tratamento com medicação para a esofagite por 3 meses e depois repetir a endoscopia. Esperamos que em breve esses sintomas possam ir embora e o apetite do nosso menino volte com força total. Todos cruzam os dedos!

Apesar da correria, pudemos curtir um pouquinho alguns dos nossos amigos de Curitiba e esticamos a viagem até Pontal do Paraná para curtir a família! Como sempre, uma delícia. E o melhor, na volta, trouxemos os avós paternos, Merão e Isa, na bagagem junto com uma dose extra de esperança.

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…
Mario Quintana

Growing  yellow flower sprout

Dezembro chegou e com ele notícias extremamente positivas

Ah, eu adoro fim de ano, pisca-pisca, montar o presépio, colocar a guirlanda na porta, escolher o melhor lugar para árvore, ler mais sobre o nascimento de Jesus e os acontecimentos que cercam esta data tão significativa para nós, cristãos. Ah, eu adoro as confraternizações, os amigos secretos, a ansiedade pré-ceia, a ceia, o cansaço pós-ceia de quem mal dormiu, a ansiedade pré-reveillon, a euforia para reunir a grande família, e por aí vai.

Jpeg
Sir Pedroca na Terapia Intensiva – Método Pediasuit

Mas quando chega um mês lindo como dezembro e temos notícias ainda mais lindas a respeito da evolução do nosso amado Sir Pedroca, aí meu coração derrete, explode, vai à loucura, tudo junto e misturado.

Vamos começar pela consulta com a oftalmologista. Primeiro porque já era hora da consulta de rotina. Segundo porque o geneticista pediu uma avaliação minuciosa para ver se há algo ligado a possível doença mitocondrial que é a hipótese central até o momento. Ao realizar os exames, Pedroca respondeu a todos os “exercícios” propostos por ela, acompanhou todas as figuras, prestou atenção, não desviou o olhar, não titubeou. Dilatamos as pupilas do pequeno e nada para doença de fundo de olho, nada para grau, nada de nada. Ou seja, o parecer da oftalmologista para o geneticista foi “não observei nada ao exame ligado à oftalmoplegia externa progressiva”. Uhu! Primeira vitória do mês!

É claro que por conta do atraso global motor, ela aconselhou continuarmos a estimulação visual, e mais claro ainda que vamos continuar fazendo. Agora o foco é trabalhar coordenação visomotora (principalmente reflexo olho-mão), contrastes e profundidade. Vamos lá!!!

Em meados de setembro descobrimos que o Pedro estava com alterações na tireoide. Exames detalhados e constatou-se um hipertireoidismo. Logo no início de outubro começamos o tratamento proposto pela endocrinologista. Após 45 dias de medicação, refizemos os exames, e agora, no retorno com a endocrinologista qual notícia recebemos: que a tireoide normalizou, que não há mais necessidade de tomar medicação, que possivelmente foi apenas um episódio isolado. Uhu ao quadrado agora né! Segunda vitória do mês! Ficamos radiantes!

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Satisfação em brincar com os potes coloridos

É claro que daqui dois meses vamos precisar repetir os exames, mas é algo absolutamente tranquilo e para o controle, já que na opinião e experiência da endocrinologista, como não há mais alterações de anticorpo do TSH, a probabilidade de não haver mais alterações é muito maior. \o/

E vamos lá, a consulta com a neurologista que acompanha o Pedro. A primeira surpresa para ela foi a questão dos ganhos motores. Deixamos o Pedro no tapete no chão do consultório para ela ver como ele está se locomovendo, usando mais os membros superiores, fazendo mais força com os pescoço e tronco e tudo mais.

A surpresa foi pra ela que não o via há pouco mais de dois meses. Pra nós, essa é a nossa felicidade diária. Definitivamente a fisioterapia intensiva – Pediasuit – fez um bem danado ao pequeno. Ao ver os exames, mais surpresa, alguns índices que já foram 100 vezes superiores às taxas normais nunca estiveram tão próximos da normalidade. Ou seja, estamos mesmo no caminho certo, tanto com as vitaminas que ele toma, quanto com as formas de terapias que estamos fazendo. Uhu ao cubo neste momento!!! É muito orgulho pra gente :-)

Muito, mais muito felizes estamos com todas essas boas notícias! Temos certeza de que esses resultados tão positivos são frutos da dedicação dos profissionais que atendem o Pedro, do apoio que nós, pais e familiares, prestamos a ele, da automotivação e do autoesforço do próprio piázito que dá um show de garra, mas principalmente a Deus, nosso pai maior, que é a nossa base, nosso alicerce, nossa força motriz. O sentimento que invade nossos corações é o de gratidão eterna. <3

Por favor Dezembro, não passa depressa demais!