Presente especial com estímulo sensorial

Quando digo que o Pedroca veio nos ensinar e que nos ensina todo dia, muita gente pode achar piegas, clichê ou coisa de mãe coruja. Mas é absolutamente real. E quando o assunto é alguma técnica ou terapia que vá auxiliar no seu desenvolvimento, quero mais é aprender mesmo. O máximo de informações possíveis e, de preferência, passar adiante. Foi o que aconteceu na última sexta-feira durante a sessão de fisioterapia e é isso que vou contar aqui hoje.

Já tinha ouvido falar no estímulo sensorial, desde que o Pedro começou a fazer terapia ocupacional e fisioterapia, as terapeutas falavam sobre a importância de dessensibilizar as mãos e os pés do Pedro, já que apresenta uma hipersensibilidade a determinadas texturas e consistências. Desde bem bebê, já estimulávamos os sentidos com quente, gelado, colocando os pezinhos na grama, na terra, na areia… normalmente ele rejeita, sente nojo, mas mesmo assim, aos poucos, continuamos… Tudo que era nos orientado, fazíamos: passar na pele de leve vários tipos de buchas, das mais ásperas às mais macias; estimular com massinha de modelar, com geleca, com farinha, etc. E aos poucos, Pedroca foi aceitando melhor as texturas diferentes.

Mas com tanta coisa na cabeça, tentando dar conta de tudo, eu não sabia a real necessidade de dessensibilizar. Aí, vem a Marcia, fisioterapeuta neurológica do Pedroca há pouco mais de um ano, presentear o piázito pelo aniversário com um brinquedo que estimulasse dessensibilização por meio da sequência lógica. Ficaram curiosos pra saber o que é? Pois vou explicar por meio de texto e fotos.

A Marcia realmente pensou em um presente que pudesse auxiliar o Pedro neste processo de estímulo sensorial e o presenteou com uma picoleteira, isso mesmo, uma “maquininha” de fazer picolé.

picoleteria
Presente do Pedroca: Picoleteria Calesita – Fábrica de Picolé

Primeiro Pedroca foi colocado de pé, em uma das posições que costuma ficar na fisioterapia.

Depois Pedroca precisava pegar os pedaços de frutas com a mão para coloca-los no recipiente. Aqui foi a parte mais delicada. Ele sente nojo, asco, exatamente pela sensibilização. Nas primeiras vezes chegou até a ranger os dentes (reação neurológica normal para pacientes com neuropatia como o Pedro). Mas aos poucos, foi abrindo mais a mãozinha, lutando contra seu instinto de tirar a mão, e querendo mais e mais fazer aquilo. Coisa mais linda de presenciar!

Na sequência, Pedroca tinha que apertar  e girar uma válvula que “amassa” as frutas. Essa parte foi divertidíssima pra ele, claro, que não queria parar de apertar.

O próximo passo era colocar algo líquido, que pode ser água, suco de fruta ou iogurte. Neste caso foi o iogurte. A cada fase, Pedroca ficava mais animado.

Depois disso, era preciso girar mais para misturar como um liquidificador. E Pedro sempre muito atento a cada uma dessas fases. Em seguida, ele tirou os palitinhos, despejou o líquido, tampou com o palitinho.

E toda a sequência começou novamente com outras frutas. Na segunda vez, Pedroca já não estava mais tão sensível, porque ele sabia o que iria acontecer, o que dá segurança pra ele e o ajuda a se controlar para não ficar tão sensível ao toque das frutas e fazer a atividade que ele queria fazer.

Depois de passar pelo processo de novo, colocamos Pedroca no carrinho de rodas, o levamos até a cozinha, explicamos que ele teria que esperar congelar pra tomar o picolé e o ajudamos a colocar os picolés no congelador.

Trouxemos o picolé pra casa, no fim de semana mostramos o picolé congelado, Pedroca ficou animadíssimo. Ele tirou do suporte e o ajudamos a colocar na boca. Não gostou muito não. Tentamos insistir mais um pouco, mas a hipersensibilização estava forte. Vamos tentar novamente outras vezes.

Então, voltamos ao termo que a Marcia usou para me explicar porque escolheu esse presente para o Pedro, para trabalhar com a dessensibilização por meio de sequência lógica, ou seja, podendo estimular a interação do sistema sensorial e do sistema cognitivo. E o melhor, tudo isso, de forma lúdica e criativa, que fez o Pedroca adorar a experiência. Só podemos agradecer tamanho carinho e dedicação ao trabalho e aos pacientes. #GratidãoEternaMarcia

 

Carta ao aniversariante do dia – 2 aninhos de vida

Uau! 2 anos! Que marco hein, filhão! Não só porque marca o fim do ciclo do bebê e início do ciclo da criança. Porque marca o fim de um período de medo e angústia que, apesar de mais distante, andou rondando a gente.

Sim, filhote, somos humanos e temos nossas fraquezas. Com cinco meses de vida, quando começamos a investigar o porquê de seus exames clínicos estarem tão alterados, chegamos a ouvir que sua possível doença era muito grave e poderia te levar antes mesmo dos dois anos.

Fomos pesquisando, trabalhando com equipe médica e terapêutica multidisciplinar, os resultados dos exames clínicos foram melhorando, os resultados dos exames genéticos foram afastando a hipótese inicial e nossos corações foram sendo amparados. Mas mesmo assim, Pedroca, confessamos que a cada semana mal dormida, a cada vomitada fora de contexto, mesmo tentando manter a calma, aquele medinho nos afrontava, aquela nuvem de aflição pairava.

Então, completar dois anos com saúde, sem internações, sem grandes complicações enche nossas vidas de esperança, de certeza de que você vai viver muito, afinal, tem muita coisa pra ensinar pra gente ainda!

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Pedro, pode parecer estranho dizer isso, mas por conta das suas deficiências, somos pessoas melhores a cada dia. Você tocou a todos nós com seus olhos brilhantes e seu sorriso sincero de uma forma impossível de descrever. Toca todos que conhecem você, seja pessoalmente ou virtualmente.

Procuramos dar a você todo amor que cabe dentro de nós. Procuramos dizer isso pra você com palavras e carinhos, o tempo todo. (sim, também perdemos a cabeça com suas novas birrinhas, muitas vezes, lembra que te falamos que somos humanos, né!)

Mas desconfiamos que ainda seja muito pouco. Por isso que desde os seus primeiros meses de vida, fomos em busca de tratamentos para melhorar a parte motora com fisioterapia e terapia ocupacional, a parte sensorial com estimulação visual, a parte auditiva com estimulação sonora, a parte da linguagem com fonoterapia e por aí vai. E ainda tem umas algumas abordagens terapêuticas em planejamento para logo concretizar, hidroterapia e equoterapia. Ao infinito, e além!

Como seus pais, Pepê, só podemos guiar o caminho, mas não comandar a direção. Por isso, aprendemos todos os dias a nos desapegar. Lembra daquela máxima que sempre repetimos aqui em casa, “amor é diferente de apego”. É difícil, mas a tentativa é constante.

Obrigado Pedro. Obrigado por ter nos escolhido para sermos seus pais. Conscientes de nossas responsabilidades, vamos lutar, dia após dia, para que você seja feliz! Que Deus continue protegendo sua vida, seu crescimento, sua saúde e tudo que for importante para o seu desenvolvimento físico, moral e espiritual.

Te amamos! Demais!