A importância de compartilhar as experiências

Sobre minha participação no Encontro Interdisciplinar de Educação da UNESPAR Campo Mourão

Dia 14 de setembro de 2017 foi um dia muito significativo para mim, participei do Encontro Interdisciplinar de Educação (ENIEDUC). Promovido pela Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR Campo Mourão, o evento discute, de forma interdisciplinar, a formação de docentes com o objetivo de congregar pesquisadores, professores formadores, e professores em formação inicial e continuada, para a reflexão sobre temas relevantes às licenciaturas e que constituem demandas urgentes no cenário da educação atual.

Nesta sétima edição, realizada nos dias 13, 14 e 15 de setembro, o evento apresentou discussões voltadas para o tema “Diversidade: desafios na prática educacional”, refletindo a urgência de se pensar variados desdobramentos relativos à questão da diversidade nas práticas docentes.

Intitulada como Educação Especial: Diversidade e Inclusão, a mesa redonda da qual participei contou com a mediação da professora Evaldina Rodrigues (UNESPAR Campo Mourão) e foi composta também pelas professora Clélia Ignatus Nogueira (UNICESUMAR) que abordou o tema EU, O OUTRO, A DIFERENÇA E A DIVERSIDADE: EDUCANDO PARA O MUNDO DE AMANHÃ em sua fala e Andréa Sério Bertoldi (Centro de Educação em Direitos Humanos/UNESPAR) que discursou sobre OS NÓS DA ACESSIBILIDADE: ARTE, DIVERSIDADE E INCLUSÃO. A mim coube o tema A MATERNIDADE NA EDUCAÇÃO ESPECIAL: O PODER DOS RELATOS.

Confesso que apesar da experiência em falar em público, como professora e pesquisadora da área de Comunicação, passei o dia muito ansiosa e com borboletinhas no estômago, afinal era a primeira vez que falaria sobre a nossa história, algo tão corriqueiro no blog e nas mídias sociais, mas de uma maneira diferente, afinal a plateia estava repleta de estudantes, professores e profissionais, das áreas de Linguística, Letras e Artes, Ciências Exatas e da Terra e Ciências Humanas, ou seja, quem já está e logo mais estará, de fato, trabalhando e educando as crianças e adolescentes.

Comecei contando um pouco da minha formação, dei uma resumida na história do Pedro porque eita menino pra ter história pra contar né rs e contei como está sendo processo de inclusão do Pedro na escola comum. Pelo que temos visto, não só em Foz do Iguaçu, como também em outras cidades, a Escola Comum Inclusiva ainda está em processo de construção.  Sei que a realidade do Pedro na escola, com abertura da direção e dos professores em adaptar as atividades para ele, com esforço para que as crianças da sala dele o enxerguem como uma criança como outra qualquer, não é a realidade de muitas famílias que não conseguem ter mínimo de inclusão garantido por lei.

E também falei sobre a importância e o poder dos relatos. Como as nossas experiências compartilhadas tem sido fundamental, não só para nós, como também para outras famílias.  Assim que começamos a investigar o atraso global de desenvolvimento do Pedroca mergulhei na internet, fui pesquisando sobre o assunto em sites científicos para ter informações mais fidedignas , mas também precisava de acolhimento e fui em busca de algo mais pessoal também, nos blogs de mães, grupos no facebook e no whastapp.

Começamos a trocar experiências em relação a diagnóstico, terapias, remédios, etc. Fui descobrindo um mundo que por muitas vezes é invisível, mas é grande, enorme. Somos muitas mães e pais em busca de apoio mútuo. Fui aprendendo mais do que com qualquer médico ou terapeuta. Fui me inspirando em tantas pessoas e veio a vontade de ter o blog e as mídias sociais Nosso Mundo com Pedro. Um lugar para expor nossa história sim, mas com o foco de interação. Estou conhecendo gente do Brasil inteiro, fazendo amizades verdadeiras amigas prontas para trazer suas visões, acrescentar com as minhas, me fazer enxergar novas possibilidades. Amigas que trocam palavras de apoio, ajudam na vaquinha, faz uma visita, manda um áudio cheio de empatia, troca equipamentos.  Somos muitas, somos fortes, é no discurso do outro que me enxergo, me coloco no lugar, trabalho minha empatia, meu amor ao próximo em detrimento do amor próprio. Quando uma entristece, a outra vai lá e empurra, puxa pra cima como uma grande corrente que realmente somos.

E no meio desse movimento que estamos. E dentro dele há o movimento por mais diversidade e inclusão. É nítido que para inserir os conceitos da educação inclusiva em escolas tradicionais, é necessário enfrentar muitos desafios: externos – aqueles inerentes a estrutura didática, pedagógica e administrativa de escolas conservadores, e internos – ou seja, teremos que enfrentar a nós mesmos.

Na falas da demais professoras da mesa, aprendi muito e pude constatar que percebemos cada vez mais claramente que é necessário ter a inclusão, mais do que uma meta de trabalho a ser alcançada, será preciso abraçar a inclusão como uma filosofia de vida e colocá-la em prática, com criatividade e disposição de trabalho, em todos os espaços possíveis e imagináveis.

Por mais árduo e difícil que esse processo esteja sendo, acredito, do fundo do coração que valerá a pena, porque se der certo, as próximas gerações, frutos da uma educação inclusiva para todos, certamente serão muito melhores porque estarão preparadas para viver as diferenças de forma justa e harmoniosa. Não só para o Pedro, mas para todas as pessoas.

Por isso, mais uma vez agradeço a UNESPAR Campo Mourão por participar dessa mesa redonda no Encontro Interdisciplinar de Educação que mais uma vez demonstrou o papel social da universidade como um espaço legítimo para discussões que buscam melhor qualidade na formação docente e do processo de ensino e aprendizagem.

E #vamoquevamo que temos muito trabalho a fazer! A construção coletiva por um mundo melhor, com inclusão à diversidade de verdade, só está começando!