Maternidade – Primeiras impressões*

Li um texto bem polêmico esses dias que dizia sobre a diferença entre ter um bebê e criar um filho. Com opiniões fortes e um pouco radicais, confesso que compartilhei com a autora desses sentimentos e me fez refletir, ainda mais, sobre a maternidade que exercito há pouco tempo mas que já está sendo capaz de provocar verdadeiras transformações em meu âmago.

Filho não é coisa que a gente possa possuir. Por mais difícil que seja para mim, tenho que me convencer: o Pedro não é meu! O direito que a gente tem é de amar, é de estar presente.

Não faz muito sentido a gente dizer “criar” um filho. Porque a gente não cria coisa alguma. Quando muito a gente tem a sorte de presenciar uma coisa bonita nascendo. Um milagre! Uma coisa nascida da gente mas também nascida do outro. Da pele, do contato, do sentimento que a gente deixa escapar por todos os poros, do amor que a gente nem supunha acreditar que pudesse um dia sentir.

Filho é como força da natureza: vem e acontece. Ai da gente, se quiser segurar, colocar-se na frente, direcionar, dirigir, decidir. Filho é vulcão e a gente nunca sabe quando vai entrar em erupção. E quando acontece, transforma tudo.

Maternidade é desse jeito: é preciso abrir mão do controle. E isso meu filho começou a me ensinar muito cedo, ao nascer ao mínimo com 6 semanas de antecedência.

Maternidade é desistir da vigilância, aceitar que é inútil a gente se outorgar o direito de decidir, sobretudo, de determinar cada detalhe, de saber de antemão como cada pedacinho da vida há de acontecer.

Sinto isso a cada dia ao me deparar com aquelas tabelas de desenvolvimento (marcos) e ver que o Pedroca tem a hora dele de levantar a cabeça, colocar a mão na boca, … e não o momento que um padrão pré-determinou.

Ter um filho ensina a gente a respirar bem fundo. Largando os braços ao longo do corpo. Como quem se entrega sem saber o que virá pela frente. Como quem aceita que o bonito da vida nos escapa dos dedos das mãos e por isso mesmo é que lindo. Vem Pedro, você é meu convite diário a essa entrega… vamos juntos, de mãos dadas, como diria o grande poeta Drummond.

*Texto originalmente escrito em março de 2015, Pedroca tinha quase um ano!!!