22 meses – da paralisação ao movimento

Desde o primeiro atendimento da fisioterapeuta, desde a primeira sessão de estimulação visual, desde o primeiro comando que foi passado ao nosso filho, não houve um só dia em que não repetíssemos, confiantes: “vamos, Pedro, você pode, você é capaz”. E a cada minúsculo movimento, não houve sequer um segundo, em que não vibrássemos e sempre parabenizássemos: “isso, filho. Muito bem”.

E eis que pela primeira vez, desde os cinco meses do nosso Sir Pedroca, que ele fica completamente sem nenhum atendimento. Sem fisio, sem fono, sem t.o., sem estimulação visual nem auditiva, sem aula na escola especial. É claro, vieram as festas de natal e ano ano novo, mudança de cidade e rotina, tudo junto e misturado.

O Pedro saiu de um extremo onde estava fazendo todas as terapias possíveis e foi para o outro extremo, onde não tinha nenhum atendimento especializado focado nele. Por mais que a mãe, o pai e a avó, sempre que estão com o piázito, estimulam uma abertura de mão aqui, um  posicionamento correto de tronco ali, esses estímulos não são como os dos profissionais e vimos o rendimento motor do Pedro cair.

Somado aos fatores alimentares e de dentição que já foram postados aqui, percebemos uma regressão de ganhos que ele já havia conquistado e sofremos uma certa paralisada. Paralisamos nas projeções e nas expectativas.

Mais uma vez, foi preciso nos desfazer do medo que paralisa e da frustação que empaca. Mais uma vez, foi necessário focar mais no processo e menos no resultado. E mais uma vez, a resposta que nos traz de volta ao equilíbrio é olhar para o nosso filho e ver sua incrível capacidade de superação (o pequeno já está mamando mais e dormindo bem) e mais uma vez ver, perceber, e ter a plena certeza de que nosso filho é capaz!

Capaz de viver nesse mundo de desafios e de descobertas. Capaz de ultrapassar previsões. Capaz de contrariar suposições médicas. Contra qualquer prognóstico, qualquer preconceito, qualquer paradigma, qualquer interpretação reduzida da realidade, nosso Pedroca desafia o mundo na mesma medida em que ele o provoca.

Exatamente do que o  Pedro é capaz não sabemos. Nem, tampouco importa. O que  importa mesmo, de  verdade, do fundo dos nossos corações, é que ele siga sua busca, sua luta, sua vontade, seu desejo e sua determinação.

E a nós, cabe sermos capazes de oferecer o melhor para que o Pedro possa chegar ao máximo de sua capacidade. E ao nos darmos conta disso, saímos do marasmo e vamos à luta. E estamos encontrando algumas possibilidades muito interessantes para continuarmos trilhando o caminho das estimulações do Pedro, mas isso já é conversa para o próximo post.

22 meses_pedroca

EM TEMPO

Parabéns Sir Pedroca pelos 22 meses de vida! Parabéns pela sua suprema capacidade de entusiasmo, sua vontade de descobrir a si mesmo e de desvendar o mundo! Que Deus continue a abençoar sua trajetória, seu crescimento físico e espiritual. Muito obrigada por nos ensinar, diariamente, a enxergar para além das linhas escritas. Obrigada por nos provar, segundo a segundo, que você é a nossa fonte inesgotável de aprendizado e de encantamento. Te amamos demais. Mamãe e Papai

 

Alguma coisa acontece no meu coração e aqui em Foz não tem Av. São João

 

Imagem: Shutterstock
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O medo está nos rondando novamente. Mas é engraçado, não é um medo como de antes, é um medo diferente. O coração da gente sente coisas que às vezes não sabemos nominar. É parecido com medo, mas não é tão avassalador. É meio  tipo angústia, mas não daquelas doídas. Difícil de entender né? Pois é! Tá difícil de explicar mas não de sentir. Esse coração, viu…

Apesar de estar em Foz do Iguaçu, uma cidade relativamente rica de um estado que é o quarto mais rico, os serviços de saúde, seja eles públicos ou privados, não é dos mais abundantes. Nós sabíamos disso quando decidimos mudar de Curitiba para cá. Tanto é que alguns especialistas que acompanham o Pedro nos veriam periodicamente como, por exemplo, de 4 em 4 meses veríamos a neuro e a cada seis meses o geneticista, a gastro sempre que necessário e assim por diante…

Mas o que eu não imaginava é que teria uma grande dificuldade logo no primeiro mês. Já contei pra vocês aqui que desde novembro o Pedro tá comendo mal por conta do nascimento dos dentes. E o que estava ruim, só foi piorando e ele passou a não aceitar nem frutas geladas que eram as únicas coisas que ele ainda estava comendo e nem os medicamentos necessários ao seu tratamento como também já contei aqui. E o que estava indo muito difícil, agora está de mal a pior. Está aceitando bem pouco o leite, diminui muito a quantidade e tem vomitado com muita frequência.

E nessa contextualização, eis que a gastro-anja do Pedro está suspeitando que o Pedro possa estar com esofagite ou algo do gênero e precisamos fazer uma endoscopia para ter o diagnóstico. A grande dificuldade em relação aos serviços de saúde em Foz do Iguaçu é exatamente não ter como fazer a endoscopia aqui, nem pelo sus nem pelo convênio. Precisaremos ir até Curitiba.

E é neste contexto que estou com esse medo que não é medo, essa angústia que não é angústia… fico preocupada e é inevitável não pensar se realmente ter vindo para cá foi a melhor opção. Mas ao mesmo tempo, a cada café da manhã com tempo de conversar com a mamys, a cada banho na piscina praticamente toda tarde com o Pedroca, a cada almoço com o Xuxu sem pressa, a cada noite em claro com paciência por não ter que acordar no cedo no dia seguinte, tenho certeza de que era melhor pra todo nós ter vindo pra cá.

Imagem: Shutterstock
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Ressalva

Nem tudo é dificuldade com os serviços de saúde da cidade. Estou admirada com o SUS em Foz do Iguaçu. A mamys precisa de acompanhamento periódico com o reumatologista e em menos de três semanas, conseguiu o encaminhamento do clínico geral para esta especialidade, já foi atendida, já está esperando a liberação dos exames e já está com o retorno agendado para daqui três meses.

O Pedro já passou pela clínica geral do postinho também para ter encaminhamento para fisio, fono, reabilitação auditiva e por aí vai. É sempre muito burocrático e com as muitas informações desencontradas, mas os encaminhamentos já saíram e já estamos avaliando se essas terapias são as melhores opções para o caso do Pedro. Apesar da agilidade e bom comprometimento dos profissionais que estão o atendendo, é bem provável que por conta das múltiplas deficiências do Sir Pedroca tenhamos que investir em outras formas de terapias, mas aí já é assunto para outro post, né não?!