Devolutiva e a nossa nova luta

Quem me conhece pessoalmente sabe que uma das minhas frases favoritas é que o Pedro nos surpreende a cada dia e vai continuar surpreendendo cada vez. Aí acontece uma reunião dessa e eu acabo por confirmar o que eu sempre acreditei!

Na última segunda-feira, eu e o Xuxu tivemos reunião na escola do Pedro. De quando entramos – fevereiro de 2015 – essa é a segunda reunião geral que participamos lá, é sempre no final do semestre e eles chamam de devolutiva. Achei o nome muito interessante porque o que eles fazem é exatamente isso, nos fala e nos entrega um parecer sobre o desenvolvimento e a evolução da criança no semestre com o objetivo de apontar os pontos positivos e os pontos a melhorar.

A reunião, ou melhor, devolutiva, dura em torno de uma hora, personalizada somente para nós, pais da criança, e é realizada pela maioria dos profissionais que atendem o Pedro. Estavam presentes duas fisioterapeutas, uma fonoaudióloga, uma psicóloga, uma psicopedagoga, a professora do Berçário e a coordenadora da escola.

Um dos principais pontos avaliados do comportamento do Pedro é a motivação. Pedroca tem muita iniciativa e vontade, e isso já é algo muito importante. Mesmo sem conseguir fazer determinado movimento ou ação, o simples fato de querer fazer já é incrível, pois isso vai ajudá-lo a se superar cada vez mais.

Aí vc vai me dizer, mas isso não é bem uma novidade né Anne, você sempre diz que o Pedro é esforçado e tenta fazer as coisas. Sim, não é bem uma novidade. Mas isso era uma impressão minha, do Xuxu, dos avós, de amigos próximos que veem o Pedro com certa frequência. Ouvir isso de profissionais que estão em contato com casos como o do Pedro ou mais complexos até, é realmente uma felicidade imensa!

Cada profissional falou um pouco, nosso coração foi se enchendo de alegria até que a professora do Berçário fala o que está escrito na última linha do relatório:

“Sugere-se a transferência para turma compatível com sua idade dando continuidade a sua estimulação multidisciplinar”.

Aí nosso coração explodiu né! Muito orgulho! A gente convive com ele, percebe que a questão motora é a única coisa que o difere das demais crianças da mesma idade. Mas saber, por especialistas, que o Pedro pode acompanhar uma turma com crianças da idade dele é fantástico!

Agora junto com a luta por mais qualidade de vida para o nosso pequeno grande guerreiro, entramos na luta pela inclusão.

Luta pelo Pedro poder frequentar o ensino regular. Luta contra nossa própria superproteção que pode impedir que o Pedro se estabeleça como indivíduo capaz de fazer escolhas e tomar decisões (desde os primeiros anos de vida). Luta para que todas as escolas públicas e particulares atendam à Norma Constitucional, segundo a qual devem transformar seus sistemas educacionais em sistemas educacionais inclusivos.

As escolas públicas e particulares são obrigadas, por lei, a oferecer Atendimento Educacional Especializado – AEE – no contraturno para alunos com deficiência.  A legislação atual também prevê multa aos gestores que recusarem a matrícula de aluno com deficiência na rede de ensino pública ou privada. A nossa luta é pra fazer valer essa lei.

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Parabéns pela dedicação, motivação, iniciativa e vontade Pedro. Elas também são fundamentais para a nossa luta. Obrigada por nos ensinar a cada a dia! E vamos à luta, ela está apenas começando!

 

19 meses de muita luz, muito riso e mais um bocado de dúvidas

Essa semana mesmo estava com a mamys tomando café da manhã e o velho diálogo de como o tempo está passando rápido veio à tona. Por que será que parece que o ano voou? – perguntou-me ela. Eu respondi: simplesmente porque fizemos muita coisa! Hehehe eu realmente acho isso, quanto mais coisas fazemos, quanto mais nos envolvemos, mais não percebemos o tempo passar.

Para mim, uma amante das ciências humanas, as aulas de matemática e física pareciam uma eternidade. Chegava o natal mas não tocava o sinal! E quando eram as aulas de literatura ou história, era tão delicioso, mais e mais detalhes, mapas, cores e de repente, puf, acabou!

Acho que esses 19 meses foram assim, tanto acontecimento, tanta luz, tanto sorriso acontecendo ao mesmo tempo que temos a sensação que esse tempo voou, e o Pedro acaba de completar 19 meses!

Confesso que a última semana está bem esquisita, não sei se é pela nova rotina com o pediasuit (já falei dessa terapia aqui), não sei se são os dentes pré-molares judiando pra rasgar a gengiva, não sei se é um presságio da mudança que vem por aí, ou se é tudo junto e misturado. O que, de concreto eu sei, é que o piázito está com dificuldade de dormir.

Acorda no meio da noite e fica resmungando, me chamando pra tirá-lo do berço. Eu já tentei colocá-lo na cama pra dormir com a gente, mas ele simplesmente não dorme, pega fogo. Fica jogando os bracinhos e as perninhas pra cima da gente e gargalha! É uma delícia, mas isso faz com que ele não durma mesmo.

Então, o que temos feito é o seguinte: dou um mamazinho, uma dengadinha e volto-o no berço. Ele chama de novo, não chora, mas chama. Vou ao quarto dele, olho pra ele, falo que ainda é de noite, que ele precisa descansar, que é importante descansar pra crescer e saio do quarto dele. E isso segue acontecendo mais algumas vezes, passa-se em torno de uma hora e ele volta a dormir.

Aí o que acontece com o coração de mãe aqui? Dúvidas e mais dúvidas. Será que está certo deixá-lo sozinho? Mas ele não chora, então posso continuar insistindo para que ele volte a dormir sozinho? Eu não estou o abandonando porque explico, mas seria o suficiente? Eu converso com ele e explico que estou ali no quarto ao lado, mas que é noite e ele precisa dormir para recompor as energias, será que não é pouco?

Como já estamos acostumados, nós, pais e mães que buscamos uma criação diferente, mais sensível e amorosa, sempre nos questionamos sobre as nossas próprias escolhas. Não acredito em fórmulas – não é questão de treinamento de bebês, nem de criação com apego. E sim verificar o que funciona comigo e com o Pedro, sempre com muito cuidado, baseado no atendimento das necessidades da criança, não só interpretando por meio dos sinais que o meu filho dá, mas acima de tudo, quais as necessidades para que esse ser humano que está compartilhando desta existência com a gente precisa.

Bom, as respostas eu ainda não tenho. O que sei é que os limites de uma educação amorosa são muito tênues e estou neste momento de descobrir.

Créditos Junior Fuchter
Créditos Junior Fuchter

Obrigada Pedro, com você aprendo todo dia e todo minuto, e a sua forma de lidar com o sono, ou a falta dele, é apenas mais um pequeno detalhe que vamos aprender juntos.  Com amor, mamãe.

 

Aberta a temporada de quedas e tombos

Achei que esse momento estava longe de acontecer, afinal a maioria dos tombos e quedas começam a acontecer quando os bebês começam a rolar, engatinhar, andar, e apesar de o Pedro ser mega ativo e não parar quieto nem sentado na cadeirinha, sempre mexendo as perninhas e os bracinhos, ainda não se locomove rápido e tão facilmente.

Mas acontece que os bebês querem mesmo descobrir o mundo e acham que são independentes né. E o Pedro, mesmo com suas limitações, quer isso, como muita agitação e vivacidade. E eis que a primeira queda aconteceu, no dia no aniversário da prima, em volta de vô, vó e papai, ao ser colocado nesse tipo de andador portátil, ele resolveu que não queria se jogou de ponta no chão! Foi um grito gigante de choro que durou poucos minutos e logo depois já estava calminho brincando na piscina de bolinha. Nem galo fez!!!!

Em menos de três dias depois, eis que deixo o pequeno sentando naquelas cadeirinhas de balanço e vou na cozinha buscar o mingau quando de repente, um berro diferente, corro pra ver e o menino caído pra frente de cara no chão!!! Pego o bebê que neste momento já nem chora mais e olho pra ver se tá tudo bem, verifico cabeça, olhos, boca e quando chego no nariz, uma narina escorrendo levemente um pouquinho de sangue.

menino maluquinho

É claro que ver seu bebê caindo, se machucando, não é fácil! Mas mantive a calma e os conselhos dos pediatras para prestar atenção no comportamento do bebê. Quando ele volta para suas atividades normalmente, está tudo bem. Mas, se chorar muito, ficar apático, com sono excessivo, vomitar ou se os pais têm dúvidas, devem ligar para o médico.

Como nas duas situações em seguida o Pedro já estava todo serelepe brincando, não me preocupei e no fundo achei até graça e fiquei um pouco orgulhosa, afinal, meu bebezinho está crescendo e fazendo peraltices como qualquer outra criança!